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Okinawa - A terra dos vidros coloridos

Vidros coloridos são uma das (muitas) marcas registradas de Okinawa, que possui uma cultura e línguas distintas do restante do Japão. Isso porque o arquipélago, até meados do século XIX, era um reino independente (embora prestasse tributo à China desde o séc. XIV e também ao Japão a partir do séc. XVII) chamado de Ryūkyū (em japonês), Liuqiu (em mandarim) ou reino de Léquias (em antigos relatos portugueses do séc. XVI).

A indústria do vidro começou no período Meiji (1868-1912), mas o atual estilo colorido foi criado durante a ocupação americana (Okinawa só foi devolvida ao Japão em 1972), a partir de garrafas de cerveja e refrigerantes descartados pelos soldados nas bases militares instaladas pelos Estados Unidos em quase toda a ilha.

Hoje, esses vidros se tornaram famosos no Japão inteiro (e até mesmo fora dele) e são conhecidos como "Ryūkyū glass" (琉球ガラス Ryūkyū garasu).

Eis aqui alguns exemplares de vidraria encontrados no Okinawa World em Naha, capital da província:

Alguns vasos


Mais outros


Copos e taças em profusão


Caracóis invadindo a mesa


Mão laranja e flores


Vaso bojudo e travessa com a figura de um leão Shiisaa


Alguém aí tem cacife pra comprar esse vaso por mais de 3 mil reais? (valor convertido dos ¥157.500,00 que aparecem aí na foto)

Mês das noivas: Resposta do artigo anterior (finalmente)!

Resposta certa: C: Porque Juno, a deusa da mitologia romana protetora dos casamentos e da maternidade, é a deusa que deu nome ao mês.



Por mais incrível que possa parecer, esta é a resposta certa.

Embora as estatísticas apontem que este não é o mês mais procurado pelos casais para o seu enlace matrimonial, ele ainda é considerado mês das noivas porque os japoneses importaram da Europa essa antiga crença de que toda mulher que se casasse no mês consagrado à esposa do poderoso Júpiter teria um casamento feliz.

O engraçado é que esse parece não ter sido o caso da deusa em questão, que sofria constantemente um inferno conjugal toda vez que seu todo-poderoso marido flertava com outras deusas ou escapava do Monte Olimpo para "confraternizar" com as mortais lá embaixo.

O deus safado e sua esposa ciumenta.
Detalhe de uma pintura de James Barry (1741-1806).


As noivas de junho

Por aqui existe a expressão ジューン・ブライド juun buraido (noiva de junho), importada do inglês e usada para se referir às moçoilas que pretendem se casar nesse mês.

Cerimônia de noivado no castelo de Kumamoto.
Foto gentilmente cedida por Satoru.


Na Europa, junho é um dos meses mais aprazíveis, pois o inverno foi embora, os dias são normalmente ensolarados e não muito quentes e as flores exalam seu melhor perfume. Fica fácil entender por que é uma época boa para se casar, não?

Mas junho no Japão é o mês do tsuyu 梅雨 ou estação chuvosa. Também é uma época sem feriados, dificultando a vida de quem gostaria de curtir uma boa lua-de-mel. Isso explica em parte por que motivo muitos casais não desejam juntar suas escovas de dente no sexto mês do ano, embora a princesa Masako e o príncipe Naruhito, talvez para honrar essa tradição importada, tenham se casado no dia 9 de junho de 1993.

De qualquer modo, as opções A e D foram totalmente inventadas por mim, a opção B só vale para a Europa e a opção E, embora não constitua uma inverdade, não é a causa de o mês levar a alcunha, mas consequência disso e das chuvaradas que tiram a vontade de casar de muitos japoneses.

Referência: O artigo escrito em japonês pela senhora Kume Minako no All About.

Junho - Mês das noivas

Foto: Magnus Rosendahl.


Mês passado foi mês das noivas no Brasil. Este mês, é a vez do Japão.

Agora, um doce virtual para quem adivinhar por que o sexto mês do ano é considerado o mês das noivas no arquipélago dos Tamagochis, Pokémons e ninjas loiros de moletom laranja...

Se isso fosse um teste, qual resposta você acha que seria a mais provável das apresentadas abaixo?

a) Porque, de acordo com o budismo, junho é considerado um mês propício para estabelecer uniões e laços familiares;

b) Porque junho é a metade do ano, o clima é agradável e não chove muito, sendo a época ideal para casamentos;

c) Porque Juno, a deusa da mitologia romana (e grega também, mas com o nome de Hera) protetora dos casamentos e da maternidade, é a deusa que deu nome ao mês;

d) Porque Yuino, a cerimônia de troca de presentes durante o noivado, é foneticamente semelhante à palavra June (junho, em inglês);

e) Porque as agências de casamento e o aluguel dos salões para a recepção da cerimônia oferecem descontos nessa época.

Mande sua opinião. A resposta certa será publicada no primeiro artigo de julho.

Dia da Imigração Japonesa no Brasil



18 de junho de 1908, quinta-feira: Esta foi a data em que o navio Kasato Maru (笠戸丸) aportou em terras brasileiras, mais precisamente o porto de Santos. Nele chegaram 781 japoneses (591 homens e 190 mulheres), liderados por Ryu Mizuno. A primeira grande leva de imigrantes do país do sol nascente para o país tropical.

Chegaram ouvindo fogos de artifício. Emocionados, imaginaram que os brasileiros os recebiam calorosamente. Mal sabiam que o foguetório era por causa das festas juninas.

Após terem enfrentado 52 dias de viagem, são obrigados a permanecer dois dias (ou horas, dependendo da fonte consultada) em Santos, até que as autoridades alfandegárias terminem a inspeção do navio. Só então foram liberados para pegar o trem que os levaria a São Paulo.



Do Japão, haviam trazido bandeiras do Brasil confeccionadas em seda, que agitaram alegremente das janelas apinhadas, junto com bandeiras japonesas, indicando sua vontade de abraçarem o novo país, sem no entanto esquecerem de sua pátria, para a qual esperavam retornar um dia, enriquecidos.

Afinal, o Brasil havia sido descrito como a terra onde "se plantando, tudo dá", "um baú de tesouros", um lugar paradisíaco cheio de riquezas brotando do chão, apenas esperando por mãos que as coletassem. Também havia a promessa de que logo poderiam transformar-se em donos de sua própria fazenda, acumulando riquezas para depois retornarem, triunfantes, à terra natal.

No cartaz está escrito: "América do Sul, América do Sul, uma arca de tesouros os aguarda". Elaborado por uma tal de União de Emigração da Província de Miyazaki.


Outro cartaz de propaganda: "Vamos lá, com a família inteira, para a América do Sul!"


A realidade, no entanto, era bem outra... Levados principalmente para plantações de café em grandes fazendas do interior paulista, tiveram de executar tarefas que antes eram conferidas aos escravos, e em muitos casos recebiam tratamento semelhante. Os cafeeiros não cumpriram o pagamento prometido, as condições de vida eram precárias, havia preconceito, barreiras linguísticas... O sonho tornou-se pesadelo.

Trabalhadores reunidos antes da colheita de café.


Depois de seis meses, mais da metade dos imigrantes deixou o trabalho árduo nestas fazendas para tentar a sorte em outros lugares. Voltar para o Japão era impossível; não dispunham de dinheiro.



Mas, seja pela reconhecida tenacidade japonesa, seja pela absoluta falta de opções, estes imigrantes permaneceram no Brasil, prosperaram (a duras penas) e, hoje, constituem a maior comunidade japonesa fora do Japão.

As fontes de referência para a elaboração deste artigo foram:

Kasato Maru - Navio Negreiro Japonês

A viagem do Kasato Maru

Nota: As fotos deste artigo não possuem mais copyright (direitos de autor), de acordo com as legislações brasileira e japonesa, devido ao fato de já se terem passado mais de 70 anos desde sua publicação original. Inclusive as duas fotos coloridas dos cartazes, tiradas por mim no Museu da Emigração do Centro de Emigração e Interação Cultural de Kobe.

As cavernas de Genbu


Ver mapa maior

Uma das mais belas surpresas que tive ao passear de carro pela província de Hyōgo durante a Golden Week (uma semana de feriado que pega o finalzinho do mês de abril e o início de maio) foi a descoberta destas cavernas.

Localizadas no Parque Nacional San-in Kaigan (山陰海岸国立公園 San-in Kaigan Kokuritsu Kōen), próximo à cidade de Toyooka, são cinco cavernas com nomes de animais e criaturas mitológicas que simbolizam os quatro pontos cardeais e as estações do ano:

Entrada da caverna de Genbu
Foto: Hashi Photo. Encontrada na Wikipédia.


Genbu-dō (pronuncia-se mais ou menos como "guembudô") - O nome dessa caverna provém de Genbu, que no ocidente acabou sendo traduzido como "tartaruga negra", mas que na verdade se trata de dois animais, uma tartaruga e uma serpente enrolada sobre seu corpo. Na China antiga, ambos animais eram considerados símbolos de longevidade e sabedoria, e eram associados ao elemento terra, ao inverno e à direção norte;

Amigas ou inimigas?


Escamas de cobra (canto esquerdo) e casco de tartaruga (à direita)


Kita Suzaku-dō (caverna Suzaku norte) e Minami Suzaku-dō (caverna Suzaku sul) - São duas cavernas que, juntas, formam o corpo de um enorme pássaro vermelho que muita gente confunde com a fênix, por serem ambas aves relacionadas ao fogo. Mas Suzaku, diferente da fênix, não precisa renascer das próprias cinzas, pois é uma criatura imortal, um deus que domina o elemento fogo, rege o verão e a direção sul. Ao olhar para a caverna norte, dá pra imaginar direitinho as enormes asas desse imenso pássaro de fogo. Já a caverna sul, logo ao lado, parece desenhar uma longa e bonita cauda de penas no meio daquelas rochas vulcânicas.

Kita Suzaku-dō


Minami Suzaku-dō seria o rabicho do pássaro
Foto: Hashi Photo. Encontrada na Wikipédia.


Byakko-dō - A caverna do tigre branco fica a apenas uns poucos metros das duas cavernas de Suzaku, é a menor de todas e a que eu tive mais dificuldade para imaginar um tigre feito de pedras. Para mim, estava mais para uma coluna vertebral ou uma longa escada (Stairway to Heaven?).

Degraus de pedras que te levam ao paraíso


Somente quando me sentei para escrever este artigo é que notei que o felino divino poderia estar sendo "mostrado" de um ângulo superior, ou seja, como se estivéssemos pairando alguns metros acima dele e víssemos suas costas e listras típicas.

O tigre branco está associado ao elemento ar, ao outono e à direção oeste.

Cadê o tigre?
Foto: Hashi Photo. Encontrada na Wikipédia.


Seiryū-dō - A última das cavernas é a do dragão azul (ou verde, porque o kanjisei, ao(i) pode ser usado com esse significado também, como em 青信号 aoshingō, "sinal verde"). Este animal imaginário é o deus do elemento água, simboliza a primavera e a direção leste.

A caverna do dragão
Foto: Hashi Photo, na Wikipédia


Estas fantásticas formações rochosas se originaram de uma erupção vulcânica ocorrida há mais ou menos 1.600.000 (um milhão e seiscentos mil) anos que foi, aos poucos, esfriando e tomando a forma de gigantescos pilares e blocos penta, hexa, hepta ou até mesmo octogonais de basalto.

As cinco cavernas são normalmente referidas pelo nome da maior delas, Genbu-dō. Esta, por sua vez, recebeu seu nome de um estudioso de Confúcio chamado Shibano Ritsuzan * (1736 - 1807) que, ao visitá-las, lembrou-se da lenda chinesa ao vislumbrar o corpo de uma cobra nos pilares cheios de gomos e um casco de tartaruga nos blocos de pedras poligonais.

Além disso, em 1884, um geólogo da Universidade de Tóquio, Kotō Bunjirō **, ao decidir criar nomes japoneses para rochas e minerais que até aquele momento somente possuíam nomes estrangeiros, resolveu batizar o basalto de genbugan (玄武岩) que significa, literalmente, "rocha de Genbu", em homenagem a esse belo complexo de cavernas formado pela rocha de origem vulcânica.

Mapa mostrando as cinco cavernas (clique na imagem para ampliar)


* Shibano = sobrenome, nome de família; Ritsuzan = nome (ordem oriental de escrever nomes de pessoas)

** Kotō = sobrenome; Bunjirō = nome

Dia das crianças: Koi nobori e Musha ningyō

Carpas esvoaçantes


5 de maio foi Dia das Crianças no Japão e feriado. Ele foi o último de uma pequena sequência de feriadinhos que, juntos, formam o que os japoneses chamam de "Golden Week" (é, eles usam o inglês para se referirem a essa semana).

Pra falar a verdade, é um dia das crianças pela metade, pois o que se comemora mesmo não são as crianças de modo geral, mas apenas os meninos.

Acho que nomearam esta data como sendo das crianças apenas para justificar o feriado, pois existe um Dia das Meninas, em 3 de março, que não é dia de descanso a não ser que caia num domingo (pode ser implicância de minha parte, mas isso me cheira a machismo disfarçado...).

De qualquer forma, é um dia para rezar aos kami (deuses) para pedir que os meninos cresçam fortes e sadios.

Carpas penduradas por toda parte

Do final de abril até 5 de maio, são hasteadas birutas (ou mangas de vento, como se diz em Portugal) em formato de carpa, pois estas são símbolo de tenacidade e persistência, por lutarem contra a correnteza dos rios, e representam o desejo dos pais de que seus filhos varões tenham o espírito aguerrido e as mesmas qualidades atribuídas a elas. Este costume é chamado de Koi nobori (鯉幟, literalmente: "subida das carpas").

Birutas em Shirakawa

A carpa preta normalmente é a maior e representa o pai, sendo por isso colocada acima das demais. Para cada menino da família, são acrescentadas mais carpas, menores e de cores diferentes. Uma carpa vermelha costuma representar o filho primogênito, uma azul o segundo filho, uma verde para o terceiro e por aí vai. Atualmente, é difícil que uma família japonesa tenha mais de três filhos mas, caso haja um quarto filho homem, parece que a cor da vez é o violeta (eu ainda não vi uma carpa-biruta dessa cor).

Kintarô agarrado às costas da carpa-biruta

Além das carpas, neste dia também são expostos elmos (兜 kabuto) ou armaduras (鎧 yoroi) de personagens históricos ou ainda bonecos com figuras lendárias, como Kintarô (金太郎 Kintarou), um garoto de força descomunal, ou Momotarô (桃太郎 Momotarou), o menino que nasceu de um pêssego.

Kintarô montado numa carpa, com Momotarô ao fundo, do lado esquerdo


Elmo (Kabuto) utilizado por Sanada Yukimura


Réplica da armadura utilizada por Date Masamune


Elmos à venda


Todos os objetos acima são chamados de Musha ningyō (武者人形 lit.: bonecos guerreiros) ou Gogatsu ningyō (五月人形 bonecos de maio), embora também existam os bonecos propriamente ditos. Destes, uma das figuras mais populares e representadas é a de Minamoto no Yoshitsune, o vencedor da batalha de Dan-no-ura (em que o clã Taira foi finalmente derrotado pelas forças lideradas por Yoshitsune, do clã Minamoto). Herói de fim trágico, obrigado a cometer suicídio por causa das desconfianças e inveja de seu meio-irmão Yoritomo, Yoshitsune tornou-se objeto de muitas lendas, peças de teatro, novelas e, em todo 5 de maio, é figurinha carimbada e certa de aparecer em algum canto por aqui.

Musha ningyo do início da era Meiji (1868-1912), representando Yoshitsune. Foto: tkmrabbits/Talina. No Flickr.


Elmo de Minamoto no Yoshitsune

Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim?

Um vídeo maneiro, mas nada de ovos de chocolate...

Isso porque aqui no Nihon não se comemora a Páscoa (afinal, não se trata de um país cristão), e eu só fui saber que o domingo de ontem era o dia certo por acaso...

A coisa mais próxima que achei sobre o tema para poder escrever um artigo foi o VocêTubo abaixo, que traz uma musiquinha chamada Usagi no Mochitsuki ("Os bolinhos de arroz feitos pelo coelho").

ATUALIZAÇÃO: Retirei o link para o VocêTubo, pois o vídeo constituía violação de direitos autorais e foi tirado do ar a pedido da detentora desses direitos, a NHK.

Não tem nada a ver com Páscoa (Mochitsuki está mais relacionado com o Ano Novo japonês), exceto pelas orelhinhas de coelho...

A letra da música apresentou um sério desafio para uma tradutora amadora como eu. Há alguns jogos de palavras que são impossíveis de traduzir para o português, sem contar que topei com algumas expressões cujo significado realmente me escapa. Assim, não vou poder fazer uma tradução decente da mesma, mas vou contar mais ou menos o que eu entendi: um coelho vai tentar fazer bolinhos de arroz, imitando os humanos. Ele coloca arroz no pilão, se prepara para socá-lo, mas escorrega e cai em cima do mochi. Depois disso, parece que a história muda de foco e passa a falar dos seis passos básicos para se aprender kabuki.

A tradução parcial, junto com a letra escrita em romaji (alfabeto romano) segue logo abaixo:

Ore no odori wa tenka ichi
A minha dança é a melhor
Mane shite misare saa pyon to
Se tentar imitá-la, vejamos,
Hito no ni no mai mono mane jouzu
Você vai ficar bom apenas na derrota
Ee wake mo nee
Sim, não tem explicação
Gatten da
Entenda que é assim
Yaruzo!
Eu vou fazer!
Usu to kine to wa
O pilão e o martelo de socar
Naka ga yoi
São bons companheiros
Koshi wa shikkari bettarako
Ajeite a posição para socar firmemente
Uya yare yaresate
Epa! Oi,oi, escorreguei!
Oshiri mochi!
Mochi de bumbum!*

Yanre te wo uchi
Hito odori
Futatsu fungome
Aarya korya
Mittsu miekiriya
Kabukimono
Sayoee sayoee

Yanre yo no naka
Neri aruku
Itsutsu kashira wo migi hidari
Muttsu roppou
Kabukiburi
Sayoee sayoee
Mazu konnichiwa koregiri


* É, este blog é de censura livre! Por isso, nada de palavrões ou expressões de baixo calão...

Hina Matsuri IV - VIPs, anões da Branca de Neve bêbados e o enxoval

Continuando com nossa programação normal...

Os ministros

Depois dos músicos, chegou a vez dos nobres também darem o ar de sua graça nas plataformas. Eles são representados pelas figuras de dois ministros, da direita e da esquerda.

E isto pode parecer um pouco confuso, mas o ministro da direita é colocado à esquerda (do ponto de vista de quem está olhando de frente para eles), e o ministro da esquerda fica à direita...

Udaijin e Sadaijin. Foto:Info Japan


▪ Udaijin(右大臣) - O ministro da direita

Representado como um homem adulto, sem barba.

▪ Sadaijin(左大臣) - O ministro da esquerda

O lado esquerdo era considerado superior na antiga corte japonesa (vide explicação mais detalhada no meu segundo artigo sobre Hina Matsuri). Por isso, um homem mais velho e supostamente mais sábio era frequentemente escolhido para ocupar este importante cargo. Do mesmo modo, o boneco representando o sadaijin possui uma longa barba branca e é mais velho do que o boneco do udaijin.

Normalmente, ambos ministros trazem uma aljava às costas com algumas flechas, além de espadas atadas à cintura. Também podem segurar arcos ou algumas flechas.

Os três homens bêbados

A plataforma que contém esses bonecos é a mais divertida e informal de todo o conjunto. Nela, tanto podem ser representados membros da classe samurai num momento mais relaxado, quando esses guerreiros se entregavam à bebedeira ou, ainda, pessoas das camadas mais baixas do palácio: os serviçais.

De qualquer forma, são três figuras com os rostos mais expressivos dentre as hina ningyō, cujos nomes me lembram os anões da Branca de Neve... Da esquerda para direita, são eles:

1. O beberrão zangado (怒り上戸, okorijōgo);




2. O beberrão triste (泣き上戸, nakijōgo);



3. O beberrão risonho ou feliz (笑い上戸, waraijōgo).



As três fotos acima foram encontradas no weblog Kairi.


Mas parece que o padrão Zangado-Triste-Feliz não é algo muito rígido, pois há alguns arranjos que mostram uma ordem diferente, em que temos Triste-Zangado-Feliz, como mostrado na foto logo abaixo:

Foto: Kairi


Além disso, também não parece haver muito consenso em relação a quem carrega o quê. Os arranjos no estilo da região de Kansai (Quioto, Osaka, Kobe e arredores) mostram os três como serviçais que carregam objetos destinados a limpar os jardins, como um rastelo (熊手 kumade), uma pá para recolher o lixo (塵取り chiritori) e uma vassoura (箒 hōki).

Limpadores de jardim, o estilo da região de Kansai.
Foto: David Wiley. Encontrada no Flickr


Eu já vi o Zangado com a pá ou com o rastelo. O Triste normalmente segura a pá, mas também há arranjos em que ele estava segurando a vassoura ou até mesmo o rastelo...

Quando eles são representados como samurais, bem ao estilo de Edo (Tóquio), carregam objetos como guarda-chuvas e uma mesinha.

Samurais, o estilo preferido da região de Kantō
Foto: Ningyou Chain


Vamos detalhar os objetos:



Daikasa ou daigasa (台笠);







Kutsudai (沓台);







Tachigasa ou Tategasa (立笠 ou 立傘).




Por fim, há aqueles bonecos que não negam que são beberrões mesmo, deixando de lado os instrumentos de trabalho ou peças decorativas e munindo-se de sakazuki, aqueles vasilhames para beber saquê que mais se parecem com pires, e uma boa garrafa da bebida...

Esses aí só querem saber de encher a cara...
Foto: Ikasashi


O enxoval

Nas duas últimas plataformas (quando se trata de um conjunto de sete), são dispostos os móveis e malas da noiva (a imperatriz) e também os meios de transporte utilizados para carregar todas estas coisas.

Na penúltima plataforma, são colocados diversos itens, como os mostrados na foto abaixo. São eles, em sentido horário, começando pelo canto superior direito: mesa contendo um conjunto usado nas cerimônias de chá (台子 daisu); caixas (挟箱 hasamibako); embaixo delas, um baú para estocar quimonos (長持 nagamochi); caixa de costura (針箱 haribako); penteadeira (鏡台 kyōdai); estante (箪笥 tansu); e, no centro, dois braseiros (火鉢 hibachi).

Foto: Hinaningyou


Finalmente, na última plataforma, um palanquim (御駕籠 gokago), utilizado para transportar a noiva quando ela se aventurava fora do castelo; um carro de boi (牛車 gisha ou gyuusha), para levar bagagens pesadas; e, no meio deles, um gaveteiro enorme (重箱 jubako).

Palanquim.
Foto: Jnn. Encontrada no Commons.


Carro de boi. Foto: Plaza Rakuten


Gaveteiro.
Foto (detalhe): katorisi. Encontrada no Commons.


Agora, vamos às principais fontes de referência para a confecção deste artigo, todas em japonês:

Koboku;
Ningyou Chain;
Fuyusun.

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