Mostrando postagens com marcador Sabores exóticos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sabores exóticos. Mostrar todas as postagens

Sabores estranhos de sorvete V

Fãs de Allium cepa, tremei com gosto! Chegou a hora de apresentar este sorvete de cor duvidosa cujo preparo pode levar muita gente às lágrimas...



O lugar onde ele pode ser encontrado é na ilha de Awaji (Awajishima 淡路島), na província de Hyōgo, entre as ilhas maiores de Honshū e Shikoku. Lá fica o paraíso dos amantes de cebola, pois as plantações desta aliácea se encontram por todo caminho e é possivel adquirir quilos e mais quilos por preços razoáveis.



O local específico onde entrei em contato com a cebolada e o sorvete esdrúxulo tem o curioso e comprido nome de "Parque-Fazenda da Colina da Inglaterra em Awajishima" (淡路島ファームパーク イングランドの丘 Awajishima faamu paaku Ingurando no oka).

Cebolas, cebolas


Nesse parque-fazenda tinha um monte de atrações, como um pequeno museu contando a história da ilha de Awaji [1], belos jardins de rosas e outras flores espalhadas em volta, estufas mostrando exemplares de vegetação de diversos ecossistemas (deserto, floresta tropical etc.), um mini-zoológico, parques de diversões para as crianças e criações de vários animais de fazenda, com uma área onde crianças e adultos podiam tocar alguns deles (coelhos e cavalos, principalmente).

Campo de cebolas em Awajishima


Mas vamos à análise do sorvete: Nas primeiras lambidas, sente-se o sabor inconfundível da cebola, não crua, mas aquela que se frita no óleo até ficar bem douradinha. A única diferença é que o sabor é adocicado. No começo, achei uma delícia mas, à medida em que ia acabando com o sorvete, o gosto passou a ficar meio enjoativo. Tanto que quase não aguento chegar até o fim do dito cujo, além de sair correndo pelo parque na busca frenética de um bom copo d'água. Resumo da ópera: o sorvete é bom, se for dividido a dois (ou três, ou quatro...). Para ser ingerido versão solo, é enjoativo.

[1] Há uma exposição bem interessante: um domo transparente contendo figuras tridimensionais dos deuses Izanami e Izanagi em cima de uma nuvem que paira sobre o oceano do caos. Eles seguram uma lança (ou alabarda) divina e, com ela, vão mexendo o "cozido" caótico para criarem os primeiros pedaços de terra firme no mundo (que, é lógico, começou com o Japão...). E a ilha de Awaji foi a primeira das oito ilhas criadas por esse casal divino. Por isso, é comum encontrar por lá slogans do tipo "O Japão começou aqui". E isto porque eles estão sendo "modestos"; afinal, se o Japão foi o primeiro país criado no mundo e Awaji foi a primeira das ilhas do arquipélago a aparecer, se quisessem se gabar de verdade, diriam: "O mundo começou aqui"...

Pepsi sabor baobá

Pois é, chegou o verão aqui neste hemisfério e, com ele, tem lançamento de mais uma Pepsi de sabor exótico: Pepsi Baobá.



Baobá é um tipo de árvore ( gênero Adansonia) em que a maioria das espécies são nativas da ilha de Madagascar, onde inclusive chega a ser considerada símbolo nacional.

Para aqueles que já leram as aventuras de "O Pequeno Príncipe" (Le Petit Prince), de Saint-Exupéry, o baobá era aquela árvore gigantesca cujas raízes tomavam conta de um planeta inteiro.

Um exemplar de Adansonia grandidieri
Foto: Bernard Gagnon. Encontrada na Wikipédia.


O fruto é comestível e imagino que tenha sido a partir dele que o pessoal responsável pela criação de novos sabores da Pepsi tenha se inspirado para elaborar esse líquido cor de mel de cheiro leve e agradável.

O gosto é interessante; logo que botei a bebida na boca, não sei por que, me veio à mente a imagem de estar ingerindo alguma raiz de planta. No entanto, meu companheiro de experiências gastronômicas e bebedeira em nome da ciência me fez notar que, após a ingestão, permanece na língua um gosto muitíssimo leve, parecido com canela.



Assim, como consideração final, devo admitir que gostei da novidade, embora ela não tenha conseguido ultrapassar o sabor único e refrescante da minha Pepsi sabor esquisito número 1: Shiso.

Vamos aguardar e ver o que essa fabricante de bebidas nos reserva para o verão que vem...

Daigaku imo - O doce do tubérculo graduado

Uma das iguarias que logo me ganhou a estima e o estômago nestas paragens nipônicas foi a Daigaku imo (大学芋). Traduzida literalmente, significa "tubérculo da universidade". Que tipo de comida seria essa?

Pois trata-se de batata-doce (Ipomoea batatas), que é cortada em palitos grossos (com casca e tudo), cozida, coberta com uma calda de caramelo e salpicada de gergelim preto. Uma verdadeira delícia!

Deveria ter tirado a foto primeiro, antes de comer quase todo o conteúdo da caixinha de plástico, mas não resisti à tentação...


Mas por que será que esse quitute carrega a alcunha de "Tubérculo da Universidade"?

Para sanar minha curiosidade, perguntei ao fazedor da mesma, quando a comprei pela primeira vez de um vendedor ambulante em Yokohama. Muito atencioso, enquanto derramava calda de caramelo em cima da referida batata, ele me disse que o doce tinha esse nome porque quem o havia inventado (ele não sabia quem) começou a vendê-lo na porta de uma faculdade (ele não sabia qual), há muitos anos (ele não sabia quando).

Enquanto saboreava minha Daigaku imo e me melecava toda com a calda de variedade gosmenta, continuei intrigada com a história e decidi perguntar mais tarde (sim, porque teria de frequentar um lavatório primeiro, para eliminar os resquicios da comilança do rosto) a um conhecido meu, justamente professor de universidade.

Essa calda simplesmente escorre pela sua boca! Nham, nham!


Ele não conseguiu me fornecer nomes, mas me deixou com mais histórias e mais dúvidas na cabeça: disse que, logo após a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, houve um período de muita fome e privação, pois grande parte dos campos cultiváveis haviam sido ou destruídos pelos bombardeios incessantes ou abandonados pelos camponeses temerosos dos mesmos. Finda a guerra, já quase não havia sementes para plantar e, em alguns casos, o solo tinha sido afetado de maneira tão brusca (pensem nos níveis de radiação próximos a cidades como Nagasaki ou Hiroshima, por exemplo) que, mesmo cultivado, não produzia nada. Nada, exceto tubérculos...

Essa parte eu achei meio estranha...Se o solo foi afetado pela radiação, não seria de se esperar que os tubérculos também fossem afetados? O narrador da história não soube dizer, e a mim me restou mais uma incógnita.

De qualquer modo, ele continuou: Foi nesse época que os americanos ou sei lá quem (esse professor não soube dizer com certeza) introduziram a batata-doce no arquipélago, porque as tropas aliadas estacionadas no país recém-conquistado * também precisavam comer, certo?

Pois a solanácea oriunda dos Andes deu-se muito bem por aqui e, por um bom tempo, chegou a ser o único tipo de alimento ingerido pelos menos favorecidos pela sorte, já que o arroz havia se tornado artigo raro e caro. E, de tanto comerem e continuarem cultivando a planta, mesmo com a situação econômica melhorando lá pelos idos dos anos 60, os japoneses continuaram prestigiando a convolvulácea que lhes havia salvado da inanição.

A salvação da lavoura...
Foto: Miya. Encontrada na Wikipédia.


- Agora, com licença que já estou atrasado para uma reunião...

Epa! Espera lá! E como é que isso evoluiu para a Daigaku imo?

- Ah, bom, sei lá... Acho que, de tanto comerem a batata, os japoneses acabaram por inventar pratos novos com ela, experimentaram cobri-la com calda... É isso aí, fui!

Mas, mas...

(som de porta se fechando)

E assim terminou, de maneira inconclusiva e abrupta, minha segunda investigação sobre o caso.

Depois de alguns anos sem nenhuma resposta elucidativa e de muitas Daigaku imo que passaram pelo meu aparelho digestivo, mudei-me para a região de Kansai (Quioto, Osaka, Kobe e arredores) e, para minha surpresa, descobri que por aqui eles vendem, sim, a "batata da universidade", mas não com esse nome.

Eles a chamam simplesmente de sutikku poteeto ("stick potato"), ou seja, batata palito. Às vezes lhe conferem um nome mais extenso, como kawa tsuki karikari sutikku poteeto (皮付きカリカリスチックポテート): "batata palito crocante com casca", mas nada que se compare ao charme e ao mistério da batata universitária...

A batata-doce, no entanto, continua uma delícia e a calda, pegajosa como sempre.

Em tempo: imo (芋) possui o significado geral de tubérculo. Se você quer dizer batata, por exemplo, é jagaimo (lê-se "djagaimo"; じゃが芋). Inhame é satoimo (里芋). E batata-doce, o ingrediente principal da Daigaku imo, tem o nome de satsumaimo (薩摩芋), literalmente: "o tubérculo de Satsuma", nome antigo de uma região do Japão que hoje é conhecida como província de Kagoshima.


* Ainda tem o hífen, certo? Se vocês que moram aí no Brasil e em Portugal ainda têm problemas em se ajustar às novas regras da "Nova Ortografia da Língua Portuguesa", imaginem euzinha aqui, ilhada neste arquipélago? Fico mais perdida que cego em tiroteio...

Sabores estranhos de sorvete IV

O sorvete em questão, tendo ao fundo o Ujigawa (rio Uji).

Não sei como é que não havia mencionado esse sorvete antes: chá verde. Talvez pelo fato de ser um sabor tão típico daqui, fazendo parte do meu dia-a-dia de maneira tão inconspícua que quase me esqueço que não existem dessas coisas fora do arquipélago (ou, pelo menos, não existiam até pouco tempo).

Já havia experimentado essa iguaria num dos meus primeiros meses passados aqui na Terra do Sol Nascente, e lembro de não ter gostado nadinha, chegando até mesmo a botar fora metade do sorvete mal-lambido e jurando nunca mais ingerir coisa semelhante.

Caixas e mais caixas do chá mais famoso do Japão.

Mas, como o tempo é um grande curador de males e mudador de opiniões, eis que chegou o dia em que resolvi quebrar meu juramento fajuto e deixar que minhas papilas gustativas sentissem novamente aquele saborzinho verde e amargo. E nada melhor do que fazê-lo em grande estilo, visitando a bonita cidade de Uji (nos arredores de Quioto), famosa justamente pela alta qualidade do seu matcha (抹茶).

Não existem lojas ou restaurantes que não ofereçam
produtos feitos com o badalado Ujicha.

Não sei se meu gosto mudou ao longo dos anos e passei a gostar de chá verde (o que é verdade; hoje eu consigo tomar uma xícara desse chá sem açúcar e sem problemas), ou se é por que o chá feito em Uji realmente é bom, mas o fato é que, dessa vez, o sorvete me caiu bem e consegui degustá-lo prazerosamente até o fim.

Vendinha onde adquiri o sofuto kurīmu (sorvete cremoso).

Vou te mostrar que é de chocolate...

Assim dizia a letra de um antigo sucesso (1984) do Trem da Alegria.

Vou pegar carona nessa música anciã pra dizer que é de chocolate, mas de chocolate mesmo o novo refrigerante que os japoneses (quem mais?) inventaram.



A culpada da vez dessa japanisitice não é a Pepsi, mas a Suntory, inventora de mais outras misturas líquidas superestranhas das quais pretendo falar futuramente.

Lançada nesse último dia 19, ainda não experimentei a bebida, mas já requisitei a um de meus agentes (uhuhuh, é assim que eu chamo a minha cara-metade agora? Tenho de me preparar pra dormir no sofá...) a compra da mesma para a realização de mais um experimento científico-gastronômico.

Pepsi sabor feijão!

Alguém disse uma vez que as papilas gustativas dos japoneses são diferentes das do resto do mundo e, apesar de eu não gostar muito de generalizar, sou obrigada a reconhecer que isso parece fato. Pois quem, se não eles, pra inventarem um refrigerante com sabor tão esdrúxulo como esse?

A novidade foi lançada em 20 de outubro, mas somente poucos dias atrás tive a oportunidade de encontrar alguns exemplares à venda no supermercado perto de minha casa.

No meu caso, não bastou ver nas prateleiras para crer. Tive também que comprar e experimentar para ter certeza de que o negócio era real mesmo.

Por incrível que pareça, apesar de não conter nenhum traço de azuki (feijão menor que o carioquinha e de cor vermelha), com ingredientes 100% artificiais, eles conseguiram recriar o sabor do feijãozinho japonês de maneira quase perfeita.



Portanto, senhoras e senhores, aqueles que já leram meu artigo "Sabores Estranhos de Sorvete" sabem que meu veredicto não poderia ser outro: gostei da bebida!



Não é de hoje que a Pepsi vem tentando inovar no setor de refrigerantes de sabores esquisitos no Japão. Vocês aí devem se lembrar de ter visto a notícia (saiu na Folha de São Paulo e no site Kibe Loco) de quando a empresa inventou uma Pepsi sabor pepino, há coisa de mais ou menos dois anos.



As vendas devem ter sido muito boas, pois decidiram continuar testando os limites do gosto humano e, ano passado, se saíram com uma Pepsi sabor Blue Hawaii, um tipo de coquetel feito à base de rum, suco de abacaxi e licor Curaçao. Obviamente que não criaram nenhuma pepsi de teor alcoólico; os ingredientes são todos extremamente artificiais.

Esta eu não gostei muito, apesar da belíssima e cintilante cor azul-turquesa-radioativo... O sabor parecia com o daqueles chicletes tutti-frutti, dos quais eu nunca fui muito fã.



Em junho desse ano, inventaram de novo, dessa vez uma Pepsi sabor Shiso, um tipo de planta (gênero Perilla) da mesma família da hortelã que é normalmente comida junto com sashimi ou utilizada em saladas por aqui.





Esta pepsi também caiu nas minhas graças: o sabor marcante e exótico da shiso (lê-se como "chissô") dava um toque bem refrescante à bebida. E o cheiro...maravilhoso! De todas as pepsis de sabores estranhos, foi a que mais me agradou.

Pena que todos esses lançamentos são por tempo limitado: duram apenas três meses (uma estação) e depois somem, para nunca mais voltar...snif,snif...

Sabores estranhos de sorvete III

Algum de vocês, corajosas criaturas com estômago de ferro, gostaria de saborear um sorvete de jiló ou algo de sabor semelhante? Sim? Então, a resposta para suas preces já pode ser atendida, se você fizer o favor de prestar uma visita a Ohatendori, uma rua comercial em Osaka...

O sorvete não é de jiló; na verdade, o troço chama-se goya (lê-se como "gôia"), mas o sabor é tão amargo quanto o do fruto do jiloeiro.



Não sei quem foi o desvairado(a) que pensou em inventar essa "iguaria", mas deve ter sido algum foragido de Okinawa, onde essa cucurbitácea é cultivada e amplamente consumida (como eles conseguem?).

Aliás, isto me fez lembrar de uma de minhas viagens para aquele aprazível e paradisíaco arquipélago no extremo sul do Japão.

Visitando Naha, a capital da província de Okinawa, e querendo me entrosar mais com a gastronomia e cultura locais, acabei entrando num restaurante fast-food que se anunciava como o único do país a se especializar em produtos feitos a partir de goya.

Como eu nunca tinha ouvido falar na coisa nem conhecia seu sabor (eu era feliz e não sabia!), fiquei curiosa e desejei (ai de mim!) experimentar alguns dos lanches de lá. Pedi um combo que consistia em: hambúrguer de goya, suco de goya e goya rings, ou seja, uma overdose desse legume (?) pra ninguém botar defeito!



Devo admitir que o hambúrguer até que era comestível. Não era feito de carne, mas de uma mistura de hambúrguer de soja com omelete e a tal da goya. Acho que o amargor foi meio que "diluído" pelos outros ingredientes e deu pra comer até o fim numa boa. Os goya rings também não foram impossíveis de encarar, por causa desse meu hábito nada saudável de adorar frituras. Mas o suco... Meus amigos, bastou um gole para que meus olhos saltassem das órbitas e eu praticamente cuspisse a bebida na cara do infeliz que me acompanhava! O horror! O horror!!!

Por isso, espero que vocês compreendam, mas quando eu vi aquele cartaz em Ohatendori anunciando sorvete de goya pra vender, não tive ânimo, coragem e estômago suficientes pra experimentar a coisa. Não pude fazê-lo pelo bem da ciência, muito menos do meu estômago e, além de tudo, a sobremesa era cara, sendo vendida por absurdos 450 ienes! Pra vocês terem uma idéia, um sorvete da Häagen-Dazs, zilhões de vezes mais gostoso do que essa monstruosidade, custa por volta de 250 ienes...

Sabores estranhos de sorvete II

Estes aqui encontramos em Okinawa, na ilha de Ishigaki. Sabores disponíveis eram: manga, cana-de-açúcar e batata-doce roxa. Como manga já é sabor velho conhecido em quase todo mundo, fiquei dividida entre os dois últimos.




Acabei comprando o de cana-de-açúcar, que tinha gosto mais familiar embora inédito na versão sorvete; parecia que estava comendo rapadura, só que bem geladinha.

E, para matar a curiosidade de meus estimados leitores, para o bem da ciência e, por que não dizer, do meu estômago, a gulosa aqui também acabou comprando o de batata-doce roxa...

Esse, sim, sabor verdadeiramente estranho; parecia que o sorvete queria grudar no céu da minha boca, que nem bala de coco. Mas, depois de engolido, deixava um sabor meio esquisito, levemente amargo, difícil de explicar. Só mesmo experimentando, folks.

Sabores estranhos de sorvete

Encontramos estes sorvetes em Himeji, numa vendinha bem próxima ao castelo de lá.



Sorvetes cremosos nos sabores leite de soja e gergelim preto e leite de soja com melão. Experimentei o primeiro e achei uma delícia mas, como eu sou aquela mesma pessoa que também curte um doce de feijão e come mandioca crua, talvez seja uma boa idéia não confiar muito no meu gosto...

Related Posts with Thumbnails