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Um ano de Japanisitices

Centenas de fogos de artifício no verão


9 de abril de 2009. Esse foi o dia em que publiquei meu primeiro artigo para este blog.

Começou quase como uma brincadeira, um jeito de passar o tempo enquanto não vinha inspiração para continuar escrevendo meus contos.

O meio de transporte símbolo da nação tecnológica: Shinkansen

Mas, aos poucos, o passatempo foi crescendo, crescendo, e o que era para durar apenas até que a musa da escrita voltasse a me visitar acabou se tornando outra fonte de inspiração (além de me ajudar a continuar estudando japonês)e, agora, atingiu a gloriosa marca dos 12 meses.

Réplica em plástico e tamanho reduzido da armadura utilizada por Tokugawa Ieyasu

O nome do blog, Japanisitices, foi formado a partir de "Japan" e, óbvio para os falantes de língua portuguesa, "esquisitices", porque inicialmente eu havia planejado apenas mostrar o lado cômico e esdrúxulo de algumas coisas aqui do arquipélago.

Kinkakuji, principal atração turística de Quioto

No entanto, percebi que mostrar apenas o lado "esquisito" desse povo que tem uma história antiga, uma cultura riquíssima e um modo de vida diferente do nosso seria uma tremenda de uma injustiça.

Sumô, ainda considerado esporte nacional, apesar da queda de popularidade para o beisebol e outros esportes

Assim, apesar de o nome "Japanisitices" ainda permanecer, me proponho a não somente mostrar o lado engraçado, estranho e, por vezes, ridículo de algumas coisas que ocorrem por aqui, mas também compartilhar algumas das inúmeras experiências que tive nestes dez anos como antípoda do Brasil.

Origami, a arte da dobradura

A feia face do preconceito

Interrompendo a minha série de artigos sobre Hina Matsuri, quero mostrar pra vocês, em primeira mão (espero) o que aconteceu hoje à tarde (domingo, 28 de março), quando estava passeando no centro de Quioto.

















A primeira coisa que me chamou a atenção foram as tropas de choque (primeira foto). Mais adiante, vi uma aglomeração de pessoas e o trânsito sendo redirecionado. Epa! O que será que aconteceu? Depois vi o carro da polícia (segunda foto) e, finalmente, comecei a compreender do que se tratava: uma passeata.

Passeata sobre o quê? Greve de operários, aumento de salário? Nada disso. Eram alunos, pais e professores de uma escola coreana protestando contra um ataque que essa escola sofreu no dia 4 de dezembro do ano passado por parte de um grupo de extrema direita.

Chegando aqui em casa, assisti a um vídeo (com legendas em inglês) colocado no VocêTubo mostrando o ataque:



Feridas e traumas provocados pela guerra (qualquer guerra) ainda continuam alimentando o ódio em toda parte...

Feliz Natal!



Para todos vocês, meus caros leitores e leitoras (é, eu sei que isso parece fala de candidato...), os desejos de um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de muita coisa boa e, é claro, com bastante Japanisitices por aí!!!

Quarentena II

No auge do pânico por causa dessa Shin Gata Infuruenza (novo tipo de influenza) ou gripe suína, como os jornais continuam a noticiar aí no Brasil, as máscaras viraram artigo raro e disputadíssimo em supermercados e farmácias. Antes da gripe, uma máscara comum não costumava passar dos 100 ienes. Agora, chegamos a encontrar máscaras por até 400 ienes! Que bandidagem! Mesmo assim, os produtos não paravam nas prateleiras.

Nós conseguimos, na base de muita sorte e enfrentamento de fila, uma pequena coleção delas:



Na entrada de lojas de departamento e de vários outros estabelecimentos comerciais, é comum encontrarmos uma mesinha cheia de garrafinhas de álcool e avisos pedindo aos clientes que esterilizem as mãos antes de entrar no lugar e tocar nas mercadorias. Também há diversos folhetos explicativos sobre a doença, como este aqui, de uma rede de supermercados, que aconselha a lavar as mãos e fazer gargarejo com frequência, usar máscara, alimentar-se regularmente e ter uma dieta equilibrada:



Dentro do folheto, o supermercado espertamente sugere que se faça estoque de alimentos para pelo menos duas semanas, e fornece uma lista de coisas para comprar.

Moral da história: Em tempos de crise, sempre busque obter lucro em cima do povo desesperado.

Quarentena

Hoje Kobe amanheceu mascarada.

A foto acima foi tirada do jornal Japan Times

Isso é o que acontece quando as pessoas não levam uma epidemia a sério e se julgam imunes a ela...

Infelizmente, vou quebrar uma imagem que a maioria dos ocidentais têm dos japoneses: a de que eles são super-higiênicos. Já perdi a conta do número de vezes em que, ao utilizar banheiros públicos, percebia que muitas mulheres, depois de terem cumprido suas funções fisiológicas, NÃO lavavam as mãos ou, quando o faziam, apenas davam uma passada rápida de água e já se punham a caminho.

Viajei de norte a sul nesse país e notei esse mau hábito em quase tudo quanto é canto. E não é por falta de sabonete nos banheiros, não! Mesmo em banheiros equipados com eles, vi muita gente não utilizando.

Agora, estou lendo notícias como essas:

Casos de gripe suína disparam no Japão

New flu infections in Japan pass 160 cases

Vídeo da NHK World em inglês

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