祇園祭 - Gion Matsuri - Festival de Gion

Considerado um dos três maiores festivais do Japão (junto com o Festival Tenjin em Osaka e o Festival Kanda em Tóquio), o Festival de Gion (lê-se "guiôn") dura praticamente todo o mês de julho, mas o ponto forte para alguns, especialmente turistas estrangeiros, que congestionam todo espaço disponível na cidade, é o desfile de carros alegóricos no dia 17.

Apesar de morar relativamente perto de Quioto e de ter o dia livre, acabei desanimando de ir justamente por pensar no sufoco que iria encontrar por lá, com o empurra-empurra dos que querem um lugar ao sol (literalmente; hoje está fazendo tempo bom...e muito quente!) e os muitos desvios de câmeras alucinadas que parecem mirar sua cabeça quando na verdade lutam por uma foto exclusiva de um evento exaustivamente filmado e fotografado desde sei lá quando...

Enfim, este artigo vai ser um pouco econômico nas palavras, pois vou deixar que as imagens do desfile do ano passado mostrem mais ou menos como é a coisa:


Exército de samurais


Naginata-hoko, o primeiro carro


Naginata-hoko chegando perto
Foto: Chris Gladis



Ainda o mesmo carro, mostrando meninos de cara pintada



Mais outro carro! (bem, o desfile tem 32 deles)



Comissão de frente



Exibição de leques



Com exceção do primeiro carro, que tem crianças como "mascotes", os demais trazem bonecos na frente



Flautistas empoleirados



Enquanto isso, no teto, uns trabalham...



...enquanto outros...

Sabores estranhos de sorvete V

Fãs de Allium cepa, tremei com gosto! Chegou a hora de apresentar este sorvete de cor duvidosa cujo preparo pode levar muita gente às lágrimas...



O lugar onde ele pode ser encontrado é na ilha de Awaji (Awajishima 淡路島), na província de Hyōgo, entre as ilhas maiores de Honshū e Shikoku. Lá fica o paraíso dos amantes de cebola, pois as plantações desta aliácea se encontram por todo caminho e é possivel adquirir quilos e mais quilos por preços razoáveis.



O local específico onde entrei em contato com a cebolada e o sorvete esdrúxulo tem o curioso e comprido nome de "Parque-Fazenda da Colina da Inglaterra em Awajishima" (淡路島ファームパーク イングランドの丘 Awajishima faamu paaku Ingurando no oka).

Cebolas, cebolas


Nesse parque-fazenda tinha um monte de atrações, como um pequeno museu contando a história da ilha de Awaji [1], belos jardins de rosas e outras flores espalhadas em volta, estufas mostrando exemplares de vegetação de diversos ecossistemas (deserto, floresta tropical etc.), um mini-zoológico, parques de diversões para as crianças e criações de vários animais de fazenda, com uma área onde crianças e adultos podiam tocar alguns deles (coelhos e cavalos, principalmente).

Campo de cebolas em Awajishima


Mas vamos à análise do sorvete: Nas primeiras lambidas, sente-se o sabor inconfundível da cebola, não crua, mas aquela que se frita no óleo até ficar bem douradinha. A única diferença é que o sabor é adocicado. No começo, achei uma delícia mas, à medida em que ia acabando com o sorvete, o gosto passou a ficar meio enjoativo. Tanto que quase não aguento chegar até o fim do dito cujo, além de sair correndo pelo parque na busca frenética de um bom copo d'água. Resumo da ópera: o sorvete é bom, se for dividido a dois (ou três, ou quatro...). Para ser ingerido versão solo, é enjoativo.

[1] Há uma exposição bem interessante: um domo transparente contendo figuras tridimensionais dos deuses Izanami e Izanagi em cima de uma nuvem que paira sobre o oceano do caos. Eles seguram uma lança (ou alabarda) divina e, com ela, vão mexendo o "cozido" caótico para criarem os primeiros pedaços de terra firme no mundo (que, é lógico, começou com o Japão...). E a ilha de Awaji foi a primeira das oito ilhas criadas por esse casal divino. Por isso, é comum encontrar por lá slogans do tipo "O Japão começou aqui". E isto porque eles estão sendo "modestos"; afinal, se o Japão foi o primeiro país criado no mundo e Awaji foi a primeira das ilhas do arquipélago a aparecer, se quisessem se gabar de verdade, diriam: "O mundo começou aqui"...

Mês das noivas: Resposta do artigo anterior (finalmente)!

Resposta certa: C: Porque Juno, a deusa da mitologia romana protetora dos casamentos e da maternidade, é a deusa que deu nome ao mês.



Por mais incrível que possa parecer, esta é a resposta certa.

Embora as estatísticas apontem que este não é o mês mais procurado pelos casais para o seu enlace matrimonial, ele ainda é considerado mês das noivas porque os japoneses importaram da Europa essa antiga crença de que toda mulher que se casasse no mês consagrado à esposa do poderoso Júpiter teria um casamento feliz.

O engraçado é que esse parece não ter sido o caso da deusa em questão, que sofria constantemente um inferno conjugal toda vez que seu todo-poderoso marido flertava com outras deusas ou escapava do Monte Olimpo para "confraternizar" com as mortais lá embaixo.

O deus safado e sua esposa ciumenta.
Detalhe de uma pintura de James Barry (1741-1806).


As noivas de junho

Por aqui existe a expressão ジューン・ブライド juun buraido (noiva de junho), importada do inglês e usada para se referir às moçoilas que pretendem se casar nesse mês.

Cerimônia de noivado no castelo de Kumamoto.
Foto gentilmente cedida por Satoru.


Na Europa, junho é um dos meses mais aprazíveis, pois o inverno foi embora, os dias são normalmente ensolarados e não muito quentes e as flores exalam seu melhor perfume. Fica fácil entender por que é uma época boa para se casar, não?

Mas junho no Japão é o mês do tsuyu 梅雨 ou estação chuvosa. Também é uma época sem feriados, dificultando a vida de quem gostaria de curtir uma boa lua-de-mel. Isso explica em parte por que motivo muitos casais não desejam juntar suas escovas de dente no sexto mês do ano, embora a princesa Masako e o príncipe Naruhito, talvez para honrar essa tradição importada, tenham se casado no dia 9 de junho de 1993.

De qualquer modo, as opções A e D foram totalmente inventadas por mim, a opção B só vale para a Europa e a opção E, embora não constitua uma inverdade, não é a causa de o mês levar a alcunha, mas consequência disso e das chuvaradas que tiram a vontade de casar de muitos japoneses.

Referência: O artigo escrito em japonês pela senhora Kume Minako no All About.

Junho - Mês das noivas

Foto: Magnus Rosendahl.


Mês passado foi mês das noivas no Brasil. Este mês, é a vez do Japão.

Agora, um doce virtual para quem adivinhar por que o sexto mês do ano é considerado o mês das noivas no arquipélago dos Tamagochis, Pokémons e ninjas loiros de moletom laranja...

Se isso fosse um teste, qual resposta você acha que seria a mais provável das apresentadas abaixo?

a) Porque, de acordo com o budismo, junho é considerado um mês propício para estabelecer uniões e laços familiares;

b) Porque junho é a metade do ano, o clima é agradável e não chove muito, sendo a época ideal para casamentos;

c) Porque Juno, a deusa da mitologia romana (e grega também, mas com o nome de Hera) protetora dos casamentos e da maternidade, é a deusa que deu nome ao mês;

d) Porque Yuino, a cerimônia de troca de presentes durante o noivado, é foneticamente semelhante à palavra June (junho, em inglês);

e) Porque as agências de casamento e o aluguel dos salões para a recepção da cerimônia oferecem descontos nessa época.

Mande sua opinião. A resposta certa será publicada no primeiro artigo de julho.

Selos da Hello Kitty

Inaugurando mais um novo tópico no Japanisitices, vou mostrar alguns selos da terra niponica.

E nada melhor para iniciar a série do que apresentar os selos da gata branca sem boca mais badalada do mundo...

Aqui estão eles:



Em mais detalhe:







Dia da Imigração Japonesa no Brasil



18 de junho de 1908, quinta-feira: Esta foi a data em que o navio Kasato Maru (笠戸丸) aportou em terras brasileiras, mais precisamente o porto de Santos. Nele chegaram 781 japoneses (591 homens e 190 mulheres), liderados por Ryu Mizuno. A primeira grande leva de imigrantes do país do sol nascente para o país tropical.

Chegaram ouvindo fogos de artifício. Emocionados, imaginaram que os brasileiros os recebiam calorosamente. Mal sabiam que o foguetório era por causa das festas juninas.

Após terem enfrentado 52 dias de viagem, são obrigados a permanecer dois dias (ou horas, dependendo da fonte consultada) em Santos, até que as autoridades alfandegárias terminem a inspeção do navio. Só então foram liberados para pegar o trem que os levaria a São Paulo.



Do Japão, haviam trazido bandeiras do Brasil confeccionadas em seda, que agitaram alegremente das janelas apinhadas, junto com bandeiras japonesas, indicando sua vontade de abraçarem o novo país, sem no entanto esquecerem de sua pátria, para a qual esperavam retornar um dia, enriquecidos.

Afinal, o Brasil havia sido descrito como a terra onde "se plantando, tudo dá", "um baú de tesouros", um lugar paradisíaco cheio de riquezas brotando do chão, apenas esperando por mãos que as coletassem. Também havia a promessa de que logo poderiam transformar-se em donos de sua própria fazenda, acumulando riquezas para depois retornarem, triunfantes, à terra natal.

No cartaz está escrito: "América do Sul, América do Sul, uma arca de tesouros os aguarda". Elaborado por uma tal de União de Emigração da Província de Miyazaki.


Outro cartaz de propaganda: "Vamos lá, com a família inteira, para a América do Sul!"


A realidade, no entanto, era bem outra... Levados principalmente para plantações de café em grandes fazendas do interior paulista, tiveram de executar tarefas que antes eram conferidas aos escravos, e em muitos casos recebiam tratamento semelhante. Os cafeeiros não cumpriram o pagamento prometido, as condições de vida eram precárias, havia preconceito, barreiras linguísticas... O sonho tornou-se pesadelo.

Trabalhadores reunidos antes da colheita de café.


Depois de seis meses, mais da metade dos imigrantes deixou o trabalho árduo nestas fazendas para tentar a sorte em outros lugares. Voltar para o Japão era impossível; não dispunham de dinheiro.



Mas, seja pela reconhecida tenacidade japonesa, seja pela absoluta falta de opções, estes imigrantes permaneceram no Brasil, prosperaram (a duras penas) e, hoje, constituem a maior comunidade japonesa fora do Japão.

As fontes de referência para a elaboração deste artigo foram:

Kasato Maru - Navio Negreiro Japonês

A viagem do Kasato Maru

Nota: As fotos deste artigo não possuem mais copyright (direitos de autor), de acordo com as legislações brasileira e japonesa, devido ao fato de já se terem passado mais de 70 anos desde sua publicação original. Inclusive as duas fotos coloridas dos cartazes, tiradas por mim no Museu da Emigração do Centro de Emigração e Interação Cultural de Kobe.

Pepsi sabor baobá

Pois é, chegou o verão aqui neste hemisfério e, com ele, tem lançamento de mais uma Pepsi de sabor exótico: Pepsi Baobá.



Baobá é um tipo de árvore ( gênero Adansonia) em que a maioria das espécies são nativas da ilha de Madagascar, onde inclusive chega a ser considerada símbolo nacional.

Para aqueles que já leram as aventuras de "O Pequeno Príncipe" (Le Petit Prince), de Saint-Exupéry, o baobá era aquela árvore gigantesca cujas raízes tomavam conta de um planeta inteiro.

Um exemplar de Adansonia grandidieri
Foto: Bernard Gagnon. Encontrada na Wikipédia.


O fruto é comestível e imagino que tenha sido a partir dele que o pessoal responsável pela criação de novos sabores da Pepsi tenha se inspirado para elaborar esse líquido cor de mel de cheiro leve e agradável.

O gosto é interessante; logo que botei a bebida na boca, não sei por que, me veio à mente a imagem de estar ingerindo alguma raiz de planta. No entanto, meu companheiro de experiências gastronômicas e bebedeira em nome da ciência me fez notar que, após a ingestão, permanece na língua um gosto muitíssimo leve, parecido com canela.



Assim, como consideração final, devo admitir que gostei da novidade, embora ela não tenha conseguido ultrapassar o sabor único e refrescante da minha Pepsi sabor esquisito número 1: Shiso.

Vamos aguardar e ver o que essa fabricante de bebidas nos reserva para o verão que vem...

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